quarta-feira, 29 de maio de 2013

Teatro da APETEP, a nova abolição.

Produtores e artistas se confraternizam
Há quase um século, desvencilhava-se das garras dos senhorios brancos, os escravos, até então trabalhadores explorados, castigados e humilhados pelos então poderosos brancos. Com sua abolição, veio a bonança e perspectivas de melhores dias, muito embora os preconceitos continuem, mas a exploração parou.
A classe teatral do Paraná está próxima, também do dia em que deixara os corredores muitas vezes humilhantes dos órgãos oficiais, quando construirá sua casa, livrando-se assim da enorme teia que seu próprio comodismo criou e alimentou as gordas refeições.
O novo teatro, já em adiantado estágio de construção, representará não só um novo espaço cênico, do ponto de vista quantitativo, mas sobretudo representa o que poderá vir a ser a própria redenção do Teatro paranaense. Administrado inteiramente, de ponta a ponta, pela Associação dos Produtores em Espetáculos Teatrais do Estado do Paraná – APETEP -, o teatro, cujo nome deverá ser TEATRO ABOLIÇÃO, significa um marco importantíssimo na caminhada das artes cênicas de nosso Estado, repetindo, queira Deus, o que representou para o país, o Teatro Arena, o Oficina – para ficar somente nestes dois, que tiveram enorme repercussão, tanto em termos de movimento, como em termos de contribuição cultural para o País.
Ele está localizado ali onde funcionou, até pouco tempo, a Fábrica do Samba, na Rua Treze de Maio, rodeado por todo um acervo histórico, representado pelos sobrados e casas coloniais que enfeitam a redondeza. Quer dizer, está muito em família. 

Um espaço invejável
Não só de excelente localização viverá o Teatro da APETEP, mas também de seu espaço útil, onde além de um teatro de aproximadamente 500 lugares (objetivo principal), funcionará também um galeria de artes, um bar, recanto dos artistas, além de uma galeria formada por um comércio ligado artisticamente ao Teatro, isto é, livraria, artesanato, fotografias artísticas, comidas típicas, entre outros.
Um amplo espaço para circulação e espera aguarda a inauguração do Teatro, para ser usado pelas pessoas que, antes de assistirem aos bons espetáculos ali apresentados, sentem necessidade de estarem à vontade, em um espaço, segundo o Zé Maria, “onde se possa respirar”. Três espetáculos elaboradíssimos e de gabarito invejável inaugurarão o teatro, sendo um infantil, um adulto e um de bonecos.
Uma festa de arromba, com as figuras mais destacadas do mundo artístico, será preparada para o lançamento deste teatro, onde já questionou-se, em reuniões da associação de produtores, que permitirá apenas espetáculos de nível sejam ali apresentados, colaborando assim para a formação de uma plateia que possa sair de casa e ir ao teatro, sem se preocupar com quem ou o que estará sendo apresentado.
Isto significa também, a curto prazo, uma sensível melhora na qualidade dos espetáculos produzidos e com intenções de ali cumprir temporadas.

O cacique do empreendimento
Eleito em assembleia geral, por unanimidade de votos de todos os associados da APETEP presentes, ele arregaçou as mangas antes de ser eleito; e talvez por isso botou-se fé num negócio que a muitos pareceu loucura, na hora, mas agora, com meio caminho andado, a loucura, para aqueles, vai se tornando lucidez.
O presidente em exercício da APETEP e idealizador, tanto do teatro quanto da associação, José Maria Santos, entusiasta do empreendimento, está feliz com o andamento da transformação da Fábrica do Samba em teatro, e também é da opinião de que o teatro representará a maior modificação e dignificação da classe, desde que a primeira peça foi montada em nosso Estado.
Motivos para tal otimismo não lhe faltam pois, segundo ele, “pela primeira vez, a classe está realmente unida, e discutindo e reivindicando, mas sobre coisas concretas”.
Tendo deixado todas suas atividades de lado, Zé Maria está trabalhando vinte e quatro horas por dia, em cima do futuro Teatro Abolição, não permitindo que nenhum pessimismo ou negativismo penetre em seus anseios (que por certo são os da classe) e não vê a hora do teatro estar recebendo seu primeiro público para a primeira encenação, que por certo ficará na história como um marco de um teatro (o primeiro) construído de baixo para cima, onde um artista acompanha o arquiteto, evitando assim que se construa mais um espaço (que não é cênico), ficando, tempos depois, às moscas.

Quem ganhará com esta “Abolição”?
A classe ganhará porque terá sua casa, e todos sabem que pensão só é boa para quem vem de fora para ficar apenas alguns dias. Ganhará o público, porque terá uma casa de espetáculos onde a qualidade será colocada em primeiro plano, e onde poderá se sentir em casa, inclusive com outras opções antes de assistir ao espetáculo, que não seja apenas fumar um cigarro atrás do outro, desconfortavelmente em pé.
A classe dos artistas (e não só a dos produtores) ganhará também, pois mais uma casa de espetáculos estará aberta a seus produtores, o que significa mais tempo em cartaz e, por conseguinte, mais tempo de duração de seu emprego. Realmente, um dos poucos empreendimentos em que todos ganham.

A força da Fundação Cultural
A Fundação Cultural de Curitiba, também associada à necessidade de fazer nascer em Curitiba um teatro independente, deu sua cota de colaboração, pois o imóvel onde se construirá o teatro estava locado pela Fundação (onde fez funcionar a Fábrica do Samba), mas que abriu mão do espaço em favor da APETEP por saber da importância da iniciativa.
O próprio prefeito municipal, Jaime Lerner, entusiasmado com a possibilidade, já deu sua palavra, em que deixou claro que a APETEP poderá contar com seu apoio, no que for possível; e esta disposição de ajudar, é importantíssima para todos os que hoje lutam para ver este teatro novo, em pé e funcionando, como nova opção aos teatrólogos e ao público.

Fonte: BOCABERTA – Boletim Oficial da APETEP, redação Lineu Portela, pág. 3 - ano 1980.

Zé Maria na Tupi


José Maria Santos, no programa "É proibido sonhar", da TV Paraná, Canal 6 (Rede Tupi), na década de 60.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Zé Maria ficou no banheiro mais de 1800 vezes


Peça teatral de Sérgio Jockyman "Lá"  com José Maria Santos, direção de Clóvis Levi. Estreou em 1971 no Teatro Guaíra, auditório Salvador de Ferrante.

Zé Maria em "Alguém falou de Amor"


Peça teatral de Mario Brasini "Alguém falou de Amor" com José Maria Santos (ao centro) Claudete de Oliveira e Lúcio Mange Weber.